Pierre-Joseph Proudhon (1809 ~ 1865):

" Que nos falta para realizarmos a obra que nos foi confiada? Uma só coisa: A prática revolucionária!... O que caracteriza a prática revolucionária é que ela já não procede por pormenor e diversidade, ou por transições imperceptíveis, mas por simplificações e por saltos."

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sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

«Proudhon revoltou-se contra a Declaração dos Direitos do Homem, porque fazia do mesmo homem apenas um animal político, a quem só direitos políticos eram reconhecidos, esquecendo que o homem também trabalha para se alimentar, e que há uma justiça social a realizar. Numa palavra, a democracia divinizou o indivíduo mas esqueceu a pessoa humana. O socialismo divinizou o produtor e o consumidor, mas esqueceu o homem. Eis porque nós nos revoltamos contra o socialismo, como Proudhon se revoltava contra a democracia.»

Augusto da Costa
in "Crespúsculo dos Deuses", Lisboa, 1933.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Pierre Proudhon

(15 de Janeiro de 1809, Besançon, França - 19 de Janeiro de 1865, Paris, França) foi um anarquista francês, o principal, no qual sua influência é sentida até os dias de hoje. Acabou sendo um dos que iniciaram a propor uma ciência da sociedade.Em seu ensaio Qu'est-ce que la propriété?, afirma « La propriété c'est le vol » (A propriedade é o roubo). Em seu livro Les confessions d'un révolutionnaire, ele afirma, entre outras coisas: « L'anarchie c'est l'ordre » (A anarquia é a ordem).Após tentar criar um banco para empréstimos sem juros, ele lança as bases de um sistema mutualista cujos princípios são ainda hoje aplicados nos serviços de seguro.

Começou a trabalhar cedo numa tipografia, pois era de origem humilde, onde acabou conhecendo Charles Fourier, que influenciou muito em suas idéias, além de conhecer liberais, socialistas e utópicos. Em 1838, já diplomado pela faculdade de Besançon, foi para Paris, onde em 1840 publicou Qu´est-ce que la propriéte? (Que é propriedade?). Nessa obra acaba se afirmando como anarquista, criticando a propriedade privada. Tinha em mente que quando se explorava a força de trabalho de um semelhante por semelhante, isso se definia como roubo. Além disso, destaca que cada pessoa deve comandar os meios de produção que está utilizando.

Em 1842 escreveu algumas teses chamadas Avertissement aux propriétaires (Advertência aos proprietários), onde acabou sendo absolvido do processo, pois os juízes admitiram nesse período não se acharem em competência de julgá-lo. Depois disso foi para Lyon, onde se empregou no comércio. Nesse período entra em contato com uma sociedade secreta, que formulava uma doutrina na qual um associação de trabalhadores da nascente indústria deveria administrar. Com isso acabaram por transformar as estruturas sociais, não pela atração econômica, mas pela revolução violenta.

Proudhon conheceu Marx em uma viagem que fez a Paris, além de outros revolucionários como Mikhail Bakunin. Em 1846 escreveu Système des contradictions économiques, ou philosophie de la misère (Sistemas de contradições econômicas ou filosofia da miséria), onde criticou o autoritarismo comunista e defendeu um estado centralizado. Marx acabou por dar uma resposta a Proudhon em 1847 com Misère de la philosophie (Miséria da filosofia). Participou em Paris sem convencer sobre a Revolução de 1848. De 1849 a 1852 ficou preso por causa de críticas direcionadas a Napoleão III. Nesse período escreveu Idée générale de la révolution au XIX siècle (1851) - Idéia geral de revolução no século XIX), que colocava uma visão de uma sociedade federalista numa perspetiva mundial, não tendo um governo central, mas em comunas e governadas por autogestão. Os comunistas acabaram por tachá-lo de reacionário, após falar sobre uma união entre proletários e burgueses.

Após publicar De la justice dans la révolution et dans l'église (1858) - A justiça na revolução e na igreja) passou a viver sempre vigiado pela polícia, o que o levou a se exilar em Bruxelas, pois esta obra era totalmente anticlerical. Em 1864 volta a Paris e publica Du Principe fédératif (Do princípio federativo), uma síntese de suas idéias políticas. Suas idéias se espalharam por toda a Europa, influenciando organizações de trabalhadores e dos mais fortes movimentos sindicais que se manifestaram na Rússia, Itália, Espanha e na França.

Idéias

As idéias de Proudhon, junto com as de Owen, eram opostas ao liberalismo, sendo a vertente das teorias socialistas, onde denunciam a organização econômica, governamental e educacional, prevendo a construção de sociedades cooperativas de produção. Tinha um pensamento mais utópico, pois Saint-Simon, da mesma vertente, se difere dos dois por elogiar a industrialização e o desenvolvimento do Estado. Marx e Engels foram os responsáveis por desenvolver ainda mais o socialismo científico, resultando em profundas idéias políticas. O pensamento de Proudhon, assim como de Fourier e Saint-Simon, era voltado para uma reorganização da sociedade, tendo como princípio de tudo a justiça. Essa justiça acabou sendo a harmonia social, mas também para o pensamento humano, até as próprias relações físicas.

Segundo Proudhon, o homem deveria abandonar sua atual condição econômica e moral, pois leva a desarmonia humana, nessa sujeição de homens feita pelos homens. A nova sociedade devia ser apoiada no mutualismo, pois seria uma cooperação livradas por associações, eliminando o poder coercitivo do Estado. Entende-se, também, o absolutismo do indivíduo, pois é responsável pela arbitrariedade e a injustiça. Para ele deveria ter tido uma continuação da revolução, já que tinha conseguido destruir o feudalismo. Nessa sociedade moderna deve existir uma resistência por parte dos indivíduos ao capitalismo (que começa a dar seus primeiros passos), pois seria o responsável pela criação da propriedade privada. Ele ainda defende a anarquia positiva, no qual descarta a Igreja e o Estado, assim acabará indo contra as idéias de Marx sobre o comunismo. Proudhon viu o comunismo como sendo algo utilizado para controlar os homens e eliminar a igualdade, pois são feitos concretos, fundados na liberdade, onde cada uma das partes tome seu interesse e o poder coercitivo do estado seja inútil.

Suas obras:

1840 - Qu'est ce que la propriéte? 1843 - De la création de l'ordre dans l'humanité, ou principes d'organisation politique 1846 - Système des contraditions économiques ou Philosophie de la misère' 1849 - Les Confessions d'un révolutionnaire 1852 - La révolution sociale 1853 - Philosophie du progrès 1858 - De la justice dans la révolution et dans l'église (em três volumes, segunda edição foi aumentada e foi publicada em 1860) 1861 - A guerra e a paz

Numa obra publicada após sua morte, De la capacité politique de la classe ouvrière (da capacidade política das classes operárias), mostra quais são as três condições segundo as quais o proletário pode ser visto como força política - quando tem consciência de sua dignidade, das posições que ocupa na sociedade - analisa e expõe suas condições. Depois disso faz um programa de ação política. Em uma revista ainda colaborou e ajudou a fundar.

1847 - Le représentant du peuple 1848 - Le peuple 1848 - La voix du peuple cada uma delas formada por 14 volumes, só publicada integralmente em 1875.


fonte:

http://www.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.anarquismo.com.br/topo.gif&imgrefurl=http://www.anarquismo.com.br/pierre.html&usg=__Xv6qHPZLPLzxFVx5e0-BOuP3_r8=&h=140&w=768&sz=5&hl=pt-BR&start=85&itbs=1&tbnid=9RO7iTG3Z8gZ5M:&tbnh=26&tbnw=142&prev=/images%3Fq%3Dproudhon.%2Bsocialismo%2Bfranc%25C3%25AAs%26start%3D80%26hl%3Dpt-BR%26sa%3DN%26gbv%3D2%26ndsp%3D20%26tbs%3Disch:1

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

a filiação de proudhon [04]

por Daniel Colson*

Uma anarquia positiva

Contra a uniformidade e as simplificações opressivas da ordem e da representação, contra as ilusões das formas, das molduras, das aparências e das classificações, o anarquismo proudhoniano opõe o múltiplo e o diferente, uma avaliação interior e singular dos seres e das situações, onde, segundo o princípio da homologia, os amigos e os associados desejáveis em tal ou tal movimento (opressivo ou emancipador) raramente estão onde se pensa encontrá-los.

À objetividade ordenada e mutilante de um mundo submetido a Deus, ao Estado, ao capital, e à Ciência, o anarquismo de Proudhon — antes de Nietszche e segundo um Leibniz liberado de Deus — opõe o subjetivismo absoluto de um mundo anárquico que deve ser ordenado a partir do interior, por experimentação e pelo senso prático, por associações e desassociações (federalismo), um mundo que convém escolher e construir dentre todos os mundos possíveis, transformando a anarquia do real em anarquia positiva.

O anarquismo de Proudhon substitui a articulação mecânica, exterior e utilitarista dos seres, por sua afinidade interior, para o bom ou para o mau, a partir do jogo infinito dos encontros e das associações, e como mostra qualquer história de amor, a posse de um quepe, de um volante ou de uma casa no subúrbio.

À concepção restritiva e republicana de uma liberdade que “pára onde começa a liberdade dos outros” (Rousseau), o anarquismo de Proudhon opõe uma liberdade transdutora, capaz de se estender “ao infinito” (Bakunin).

À igualdade exterior e formal das casernas, “a igual nulidade e a escravidão igual de todos diante de um mestre supremo” (Bakunin), o anarquismo de Proudhon opõe a igualdade interior de um eu absoluto, inviolável em sua dignidade, ali onde, como afirma Deleuze, “o menor torna-se o igual do maior desde que não seja separado daquilo que ele pode.”

Ao dualismo da alma e do corpo, o anarquismo opõe o monismo de um pensamento onde tudo é potência, desejo e vontade, forças a cada vez singulares e dotadas da possibilidade de avaliar incessantemente a qualidade emancipadora ou opressiva daquilo que as constitui.

A falsas oposições que fixam e justificam a prisão em que vivemos — indivíduo/sociedade, natureza/cultura, bem/mal, homem/mulher, objetividade/subjetividade, humano/não-humano — são substituídas pelo anarquismo por uma composição e uma transformação permanentes dos seres e das situações.

Todo indivíduo é um grupo, um “composto de potências”, e todo grupo, toda entidade coletiva, não importando seu tamanho ou duração, é um “indivíduo”, dotado de vontade e força, de sua própria subjetividade.

À liberdade abstrata e vazia do cidadão, do consumidor e desempregado “livremente” em busca de dinheiro, de trabalho e de felicidade, o anarquismo opõe a necessidade interior dos seres, segundo a natureza mais ou menos fugidia de sua composição, de seus encontros e de suas associações.

Necessidade e liberdade se confundem, pois para o anarquismo, e como em Spinoza, é dita livre a coisa que existe apenas pela “necessidade de sua natureza” e “obrigada, a coisa que é determinada por uma outra a existir e a agir segundo uma lei particular e determinada.” [5]

Em suma, é preciso ler e reler Proudhon à luz das experiências das quais ele é ao mesmo tempo a expressão e o inspirador, mas também à luz de um pensamento dito pós-moderno que ele esclarece e que o esclarece, contribuindo assim a dar sentido e força a todos aqueles que, seja à escala do mundo, seja à de sua vida mais imediata, recusam o absurdo e os pesadelos previsíveis deste século XXI que se inicia.

Tradução do francês por Martha Gambini.


* Professor de Sociologia na universidade de Saint-Étienne, membro da livraria libertária La Gryffe de Lyon, autor de Petit lexique philosophique de l’anarchisme.De Proudhon a Deleuze. Paris, ed. Le Livre de Poche, 2001 e Trois essais de philosophie anarchiste, Islam, Histoire et Monadologie. Paris, ed. Léo Scheer, 2004.

** Revista verve, nº. 9: PUC/ São Paulo, págs. 23-29, 2006

nota:

5 - Spinoza. Éthique, livro I, def. 7.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

a filiação de proudhon [03]

por Daniel Colson*

Um outro exemplo, mais tardio, é o sindicalismo revolucionário que, a partir da França e depois um pouco em todas as partes do mundo, acaba representando o projeto de Proudhon em oposição, mas também em estreita afinidade, com o proudhonianismo extremo e insurrecional dos anarquistas, e com aquele aparentemente tão diferente dos múltiplos e proliferantes movimentos culturais e cooperativos.

Essa capacidade de Proudhon de inspirar realidades tão diferentes quanto os movimentos messiânicos dos operários agrícolas andaluzes, a rigorosa e complexa federação dos relojoeiros do Jura suíço, as ações itinerantes dos Industrial Workers in the World (IWW) americanos, ou os grupos anarquistas do East End judeu de Londres, serviu por um longo período para justificar o veredicto de incoerência e heterogeneidade que geralmente se atribui à sua obra, como também às revoltas e realizações de caráter libertário dos quais ela é a vertente teórica.

Mas é justamente aqui que uma releitura contemporânea de Proudhon e desses movimentos, pode tentar esclarecer sua originalidade e o rigor de sua lógica interna.

“A anarquia, essa estranha unidade que não se diz senão do múltiplo”. Através dessa fórmula, Gilles Deleuze e Félix Guattari descrevem com economia e precisão a originalidade do projeto libertário, e do modo pelo qual Proudhon o pensou, duplicando assim sua diversidade e suas contradições aparentes.

De fato, como Proudhon conseguiu ao mesmo tempo, para nos atermos ao mais conhecido, afirmar-se como reformista e como revolucionário, celebrar e denunciar o trabalho, opor-se ao romantismo insurrecional e tornar-se o apologista do guerreiro, reclamar-se da emancipação e dar provas de uma inverossímil misoginia, sustentar durante o conflito do Sonderbund suíço (1847) os cantões católicos e reacionários contra a maioria radical da Confederação, ou ainda adversário das greves e dos primeiros sindicatos transformar-se no primeiro inspirador do sindicalismo revolucionário?

Graças a trabalhos como os de Pierre Ansart (especialmente Naissance de l´anarchisme [2]), mas também, mais recentemente, o trabalho da jurista Sophie Chambost [3], ou ainda o livro coletivo Lyon et l´esprit proudhonien [4], percebe-se melhor a coerência de um pensamento e de um projeto fundados sobre a anarquia do real e que rompem com o conjunto das representações da modernidade.

Lembremos rapidamente os traços mais marcantes dessa coerência e dessa ruptura.

segue...

* Professor de Sociologia na universidade de Saint-Étienne, membro da livraria libertária La Gryffe de Lyon, autor de Petit lexique philosophique de l’anarchisme.De Proudhon a Deleuze. Paris, ed. Le Livre de Poche, 2001 e Trois essais de philosophie anarchiste, Islam, Histoire et Monadologie. Paris, ed. Léo Scheer, 2004.

** Revista verve, nº. 9: PUC/ São Paulo, págs. 23-29, 2006

notas:

2 - Piere Ansart. Naissance de l’anarchisme. Paris, ed. PUF, 1970.

3 - Sophie Chambost. Proudhon et la norme. Pensée juridique d´un anarchiste. Rennes, ed. Presses universitaires de Rennes, 2004.

4 - Vários autores. Lyon et l´esprit proudhonien. Lyon, Atelier de création libertaires, 2003.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

a filiação de proudhon [02]

por Daniel Colson*

As ondas Proudhon

Embora seja certo que ele recusaria tal distinção, a importância de Proudhon é de duas ordens. Ela é em primeiro lugar histórica e política. De fato, é impossível compreender o que quer que seja sobre a natureza e significação dos movimentos revolucionários ocorridos a partir da segunda metade do século XIX sem conhecer a obra de Proudhon.

Uma obra que esteve em parte na origem desses movimentos, mas que é, sobretudo, expressão e fonte de inspiração para a riqueza, diversidade e originalidade de sua realidade e significação emancipadoras.

Durante mais de setenta e cinco anos (quatro gerações operárias), desde a fundação da 1ª Internacional, em Londres em 1865, até o fim da revolução espanhola em 1939, o conjunto de países em vias de industrialização foi atravessado por surpreendentes movimentos operários e revolucionários, mas freqüentemente ignorados, duplamente massacrados, tanto em sua realidade quanto em sua lembrança, pelas ulteriores configurações do comunismo marxista.

A influência de Proudhon passa por múltiplas ondas e histórias diferentes, que se recobrem e se reforçam mesmo quando são muito diversas. Temos por exemplo, os movimentos cooperativos — esse ramo duradouro, mas negligenciado do movimento operário internacional.

Ou ainda a 1ª Internacional (AIT), uma primeira vez, com as posições moderadas dos “proudhonianos” de estrita observância (os “mutualistas”), e depois, contra os primeiros, através da radicalidade revolucionária dos partidários de Bakunin, que conviveu regularmente com Proudhon (durante os anos 1840), e que o lera com paixão, antes de se apropriar dele e de retomá-lo de outra forma.

Outro exemplo é a Espanha.

Inicialmente o proudhonianismo aí se difunde não entre os operários, mas na pequena burguesia dos meios republicanos e federalistas, em especial com as traduções e os escritos de Pi y Margal, ministro da efêmera república de 1871, mas também inspirador mais ou menos direto dos levantes cantonalistas dos anos 1860.

Esse primeiro proudhonianismo encontra-se e é recoberto por uma segunda onda, desta vez estrita e massivamente operária, através do duplo acontecimento que foi o eco da Comuna de Paris e a ligação duradoura das principais forças operárias com o anarquismo de Bakunin.

segue...

* Professor de Sociologia na universidade de Saint-Étienne, membro da livraria libertária La Gryffe de Lyon, autor de Petit lexique philosophique de l’anarchisme.De Proudhon a Deleuze. Paris, ed. Le Livre de Poche, 2001 e Trois essais de philosophie anarchiste, Islam, Histoire et Monadologie. Paris, ed. Léo Scheer, 2004.

** Revista verve, nº. 9: PUC/ São Paulo, págs. 23-29, 2006

domingo, 13 de fevereiro de 2011

a filiação de proudhon [01]

por Daniel Colson*

Como a maioria dos outros teóricos do anarquismo (Godwin, Coeuderoy, Dejacque ou Bakunin, por exemplo), Proudhon não escapa do desprezo ligado à aparente excentricidade de suas idéias — mas também a modos de agir e de situar-se no mundo — despreocupadas com as formas e convenções capazes de mascarar sua originalidade.

No entanto, a esse descrédito comum, Proudhon acrescenta uma má e estranha reputação (devida sem dúvida à importância e ao caráter durante muito tempo enigmático de sua obra) que não apenas reforça as razões para não lê-lo, mas principalmente para dizer ou repetir despropósitos a seu respeito.

Por exemplo, e para citar somente o lugar comum mais extravagante, que ele seria “o pai do anti-semitismo moderno”.[1].

Entretanto, o interesse contraditório e, por um longo período, inconcluso por seus escritos — de Elie Havély a Georges Gurvitch, passando por Leon Brunschvicg ou o durkeiniano Célestin Bouglé e o inclassificável Georges Sorel — basta para mostrar a força e a importância de uma filosofia que apenas o ressurgimento libertário destes últimos anos, e a aparição de um pensamento contemporâneo dito “pós-moderno”, finalmente tornou perceptíveis.

segue...

* Professor de Sociologia na universidade de Saint-Étienne, membro da livraria libertária La Gryffe de Lyon, autor de Petit lexique philosophique de l’anarchisme.De Proudhon a Deleuze. Paris, ed. Le Livre de Poche, 2001 e Trois essais de philosophie anarchiste, Islam, Histoire et Monadologie. Paris, ed. Léo Scheer, 2004.

** Revista verve, nº. 9: PUC/ São Paulo, págs. 23-29, 2006

nota:

1 - Pierre Birnbaum, Le Monde, de 18 de janeiro de 1987; Roger Pol-Droit, Le Monde de 12 de setembro de 2003, etc.